Friday, 30 January 2009

Hora de seguir para fim de semana!

See you to... morrow - ouvir a letra da música ;) Para quem vai de comboio, cuidado na altura de pedir os bilhetes ;) Bom fim de semana.



(Muppet Show sings Train To Morrow / Tomorrow)


Era o tempo em que o comboio parava em todas
as estações: o comboio correio, a caminho de lisboa,
levando famílias da província para passar o ano
com os parentes de lisboa. Nessas paragens,
quando se fazia o silêncio
depois do guinchar dos travões, o chefe da estação
anunciava o nome da terra: terras que só existiam
de nome, para quem viajava no comboio, à noite,
a caminho de lisboa, e se reduziam a apeadeiros
de luz apagada no meio do campo. Por vezes, entravam passageiros
com grandes malas e cestos de fruta. Era a única animação
da carruagem nocturna: vê-los encaixarem as malas
e os cestos, antes de se sentarem em silêncio
nos bancos de madeira desses comboios do inverno. Mas
na estação de beja era diferente: era onde as vendedeiras
assaltavam as carruagens, vendendo água em bilhas
de barro. Eu pedia água, não por causa da água mas para ficar
com uma bilha de barro, dessas que partem o gargalo à primeira,
mas que deixam na boca um travo puro a terra. Às vezes,
quem vendia a água eram crianças de samarra apertada
até ao pescoço. Não diziam nada; e
passavam devagar, por entre os bancos, olhando à direita
e à esquerda, como se quisessem levar consigo
o destino de cada um de nós. Pergunto-me, hoje, se
o meu não terá ido, de facto, colado a um desses olhares; mas
lembro-me, depois, do casal que se abraçava, à minha frente,
enquanto a noite ia passando a caminho de lisboa. O seu destino,
esse, fui eu que o roubei: o amor nocturno, num banco
de comboio, enquanto o tempo passava entre beja e lisboa; e
atirei-o ao rio, nessa noite fria entre o natal e o fim
do ano. Era o tempo em que o comboio parava
em todas as estações, o tempo em que o único destino do amor
era ser atirado à água, no fim da noite, antes que
a luz da madrugada caísse sobre
o inverno de lisboa.

Nuno Júdice



(Fotografia tirada no Museum of American History, Washington DC, Janeiro de 2009)

Parece que a chuva se prolonga pelo fim de semana...

Aproveitem-no, apesar disso. O meu vai ser passado a trabalhar.


Thursday, 29 January 2009

Something short...

... hoje o serão vai ser longo, de trabalho em frente ao portátil. Em breve há uma importante deadline e todo o Portugal Universitário está a trabalhar para ela...

É nestas alturas que gostava de ter uma vida despreocupada como a destes bichinhos fofos (ver vídeo abaixo, captado no Central Park de NY) ;) Sei que o meu cão está neste momento profundamente adormecido, junto a um cobertor quente... ultimamente acho que a expressão "vida de cão" (no sentido pejorativo) aplica-se mais a mim do que a ele... Boa noite.


video

Certezas, precisam-se

Preciso urgentemente de adquirir meia dúzia de valores absolutos,
inexpugnáveis e impenetráveis,
firmes e surdos como rochedos.

Preciso urgentemente de adquirir certezas,
certezas inabaláveis, imensas certezas, montes de certezas,
certezas a propósito de tudo e de nada,
afirmadas com autoridade, em voz alta para que todos oiçam,
com desassombro, com ênfase, com dignidade,
acompanhadas de perfurantes censuras no olhar carregado, oblíquo.

Preciso urgentemente de ter razão,
de ter imensas razões, montes de razões,
de eu próprio me instituir em razão.
Ser razão!
Dar um soco furibundo e convicto no tampo da mesa
e espadanar razões nas ventas da assistência.

Preciso urgentemente de ter convicções profundas,
argumentos decisivos,
ideias feitas à altura das circunstâncias.
Preciso de correr convictamente ao encontro de qualquer coisa,
de gritar, de berrar, de ter apoplexias sagradas
em defesa dessa coisa.
Preciso de considerar imbecis todos os que tiverem opiniões diferentes

da minha,
de os mandar, sem rebuço, para o diabo que os carregue,
de os prejudicar, sem remorsos, de todas as maneiras possíveis,
de lhes tapar a boca,
de lhes cortar as frases no meio,
de lhes virar as costas ostensivamente.
Preciso de ter amigos da mesma cor, caras unhacas,
que me dêem palmadinhas nas costas,
que me chamem pá e me façam brindes
em almoços de camaradagem.
Preciso de me acocorar à volta da mesa do café,
e resolver os problemas sociais
entre ruidosos alívios de expectoração.
Preciso de encher o peito e cantar loas,
e enrouquecer a dar vivas,
de atirar o chapéu ao ar,
de saber de cor as frequências dos emissores.
O que tudo são símbolos e sinais de certezas.
Certezas!
Imensas certezas! Montes de certezas!
Pirinéus, Urais, Himalaias de certezas!

António Gedeão




(Fotografia encontrada no Flickr)

Que tal mudar de vida?...


... e concorrer ao melhor emprego do Mundo? ;) As imagens prometem... Pena que o contrato seja só de 6 meses ;)

Wednesday, 28 January 2009

Tem que ser

video
(Olhar captado em Salzburgo, Verão de 2007)


Estrela da Manhã

Numa qualquer manhã, um qualquer ser,
vindo de qualquer pai,
acorda e vai.
Vai.
Como se cumprisse um dever.

Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;
nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.
E em seu impessoal desejo latejam todos os restos
de quantos desejos ficaram antes por desejar.

Abre os olhos e vai.

Vai descobrir as velas dos moinhos
e as rodas que os eixos movem,
o tear que tece o linho,
a espuma roxa dos vinhos,
incêncio na face jovem.

Cego, vê, de olhos abertos.
Sozinho, a multidão vai com ele.
Bagas de instintos despertos
ressuma-lhe à flor da pele.

Vai, belo monstro.
Arranca
as florestas com os teus dentes.
Imprime na areia branca
teus voluntariosos pés incandescentes.

Vai

Segue o teu meridiano, esse,
o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;
o plano de barro que nunca endurece,
onde a memória da espécie
grava os sonos imortais.

Vai

Lábios húmidos do amor da manhã,
polpas de cereja.
Desdobra-te e beija
em ti mesmo a carne sã.

Vai

À tua cega passagem
a convulsão da folhagem
diz aos ecos
«tem que ser».

O mar que rola e se agita,
toda a música infinita,
tudo grita
«tem que ser».

Cerra os dentes, alma aflita.
Tudo grita
«Tem que ser».

António Gedeão



(Fotografia tirada na Ericeira, Dezembro de 2007)

Tuesday, 27 January 2009

Muito trabalho!...

Numa incursão pelos blogues-amigos, prende-me a atenção esta frase da Laurinda Alves:

Vivo com esta frustração permanente e esta sensação de chegar ao fim dos dias com mais coisas por fazer do que aquelas que ficaram feitas. Sei que não sou a única e, daí, o meu desabafo aqui.

Há dias em que a lista de tarefas não pára de crescer... hoje a Moura Aveirense estava concentrada em resolver uma determinada tarefa mas a caixa de correio electrónico crescia a olhos vistos, com outras tarefas a exigirem atenção... até almocei qualquer coisa à pressa e penso porque é que fiz isso... Realmente, por mais listas de tarefas que façamos, existem realmente coisas mais prioritárias do que todas as outras...



P.S. Hoje "inaugurei" novos cartoons, dedicado especialmente ao público feminino do blog ("Cartoons about women") :-) Mas não "desesperem" os fãs dos Mutts, Savage Chickens, PhD Comics ou Zits, que eles regressam ;) Já agora, qual ou quais deles é que preferem?

Ainda Vivaldi...




... mas hoje com um tempero irlandês ;) Nestes dias cinzentos não há melhor, ouvir barroco é o melhor remédio anti-cinzentismo-e-anti-crise-dos-telejornais :)

Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.

Fernando Pessoa


(Fotografia tirada junto da Faculdade de Direito da Universidade de Michigan, Janeiro de 2009)

Dilemas... quando se vai ao cabeleireiro...

Monday, 26 January 2009

Depois de um dia corrido...

... um remédio anti-stress? Resposta imediata: o barroco vibrante de Vivaldi, com a direcção cheia de chama de Spinosi (que saudades de o ver ao vivo a dirigir empolgadamente o Ensemble Matheus, na saudosa Festa da Música!), e as vozes de Jaroussky, Mingardo, etc. Finalmente, chegou! É do melhor!

Como passar um serão frio como este?... hummmm, eu recomendo vivamente um cobertor quentinho, um chocolate quente (com o tempero de ser degustado numa "mug" com escrita de Vivaldi ;) - acompanhados de música barroca apaixonada e exaltante (como a deste disco) e um livro. Boa noite.




O poema me levará no tempo
Quando eu não for a habitação do tempo
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen


(Fotografias tiradas entre Aveiro, por entre estes dias de tempesta, e Washington DC, num pormenor de uma casa de bonecas...)

Uma segunda-feira bastante atarefada!...



... a semana começa "em cheio"...

Sunday, 25 January 2009

Gaivotas em terra, sinal de tempestade...

Os céus de Aveiro estão cheios de gaivotas por estes dias cheios de vento e com a ondulação marítima a atingir os oito metros de altura... Apetece esvoaçar com elas ao som desta música.


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
[...]

Miguel Torga


(Fotografia tirada na praia da Vagueira, Outubro de 2008)

Como passar um dia de domingo?...



... com mau tempo... No caso da Moura Aveirense, é mais uma pilha de exames para classificar... venha uma chávena de leite quente com café para acompanhar. I'm definately good for the day.

Saturday, 24 January 2009

Caminho das Indias

Atenção, este é o momento "kitsch" da semana!... ;)

A Moura Aveirense não é particular seguidora de telenovelas... a última que acompanhei foi a comovente "Páginas da Vida", já há uns anos... mas agora adivinha-se uma muito especial, "Caminhos da Índia", em que o enredo se desenrola precisamente nesse inesquecível país que tive o prazer de visitar há dois anos. Como é habitual nas novelas de Gloria Perez, vão ser abordados temas de relevo (alguns deles polémicos) e questões sociais (como o regime das castas e a esquizofrenia). A SIC já começou a publicidade e parece que deve estrear por cá lá para meados de Fevereiro.


A acompanhar! Para já, a música-tema da novela é contagiante, só apetece dançar!




«A Índia foi a pátria-mãe da nossa raça,
O sânscrito, a mãe das línguas europeias;
Ela foi a mãe da nossa filosofia;
Mãe, através dos árabes, de grande parte da nossa matemática;
Mãe, através de Buda, dos ideais consagrados no cristianismo;
Mãe, através das suas comunidades, da auto-gestão e democracia.
A Mãe Índia é, em muitos aspectos, a mãe de todos nós.»

Will Durant



(Fotografia tirada em Mumbai, Janeiro de 2007)

Corrente musical

Finalmente, consigo responder ao desafio que a Gi me deu. A ideia é responder a algumas perguntas com títulos de canções de um único autor ou intérprete (individual ou colectivo). Não vou passar a corrente, mas quem quiser faça o favor de "pegar" nela!

Em relação às perguntas e respostas, aqui vai! Em vez de música clássica, decidi pegar em títulos de canções dos Beatles :-)

És homem ou mulher? Girl

Descreve-te. I feel fine

O que as pessoas acham de ti? Lucy in the Sky with Diamonds

Como descreves o teu último relacionamento? Help!

Descreve o estado actual da tua relação. I wanna hold your hand

Onde querias estar agora? Penny Lane

O que pensas a respeito do amor? All you need is love

Como é a tua vida? I've got a feeling

O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Hummmm, neste preciso momento, com este mau tempo: Here Comes the Sun :-)

Escreve uma frase sábia. All Together Now




(Fonte: http://www.allposters.com/)

Ontem, as notícias...

... Homem de 20 anos mata duas crianças e um adulto numa creche belga...

... uma modelo brasileira de 30 anos que tem uma doença rara, quase a morrer...

... camião mal estacionado mata crianças em New York...

... Qimonda, maior exportador nacional, abre processo de falência...

... continuação de vento forte e chuva até segunda-feira...

... etc, etc... confesso que chegou a um momento que desliguei a TV. Obviamente que se tem de estar a par da realidade, mas as notícias eram todas seguidas e todas tão más que fiquei farta! Com tudo isto, claro que as pessoas andam deprimidas...


Friday, 23 January 2009

Um serão e um fim de semana que prometem...

... vão ser exactamente assim... É a vidinha! O tempo também "ajuda" a não ter pena de ficar enfiada em casa a trabalhar (tanto vento esta noite!... vem aí "borrasca"). Bom fim de semana.




Chuva, porque cais?
Vento, aonde vais?
Pingue... Pingue... Pingue...
Vu... Vu...Vu...
Chuva, porque cais?
Vento, aonde vais?
Pingue... Pingue... Pingue...
Vu... Vu...Vu...
Ó vento que vais,
Vai devagarinho.
Ó chuva que cais,
Mas cai de mansinho.
Pingue... Pingue...
Vu... Vu…
Muito de mansinho
Em meu coração
Já não tenho lenha
Nem tenho carvão...
Pingue... Pingue...
Vu... Vu…
Que canto tão frio,
Que canto tão terno,
O canto da água,
O canto do Inverno...
Pingue...
Que triste lamento,
Embora tão terno,
O canto do vento
O canto do Inverno...
Vu...
E os pássaros cantam
E as nuvens levantam.

Matilde Rosa Araújo



(Fotografia tirada no Buçaco, Novembro de 2008)

É momento de estudar!


... os alunos da Universidade de Aveiro estão em plena época de exames.

Thursday, 22 January 2009

"Tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho"

Uma entrevista muito interessante, a que foi feita à escritora Alice Vieira na passada segunda-feira no Público. Assino por baixo em quase tudo o que ela refere. E o livro "Rosa, minha irmã Rosa" foi obviamente um dos meus livros de infância. Como não sei se as páginas do Público se mantêm, deixo aqui alguns excertos.

Entrevista a Alice Vieira
“Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho”

É por causa dos seus livros que Alice Vieira é convidada para ir às escolas. Há 30 anos, falava de “Rosa, minha irmã Rosa” aos alunos dos 3.º e 4.º anos, hoje fala sobre o mesmo livro aos estudantes dos 7.º e 8.º. “Alguma coisa está mal”

[...]

A escola pública está a perder qualidade?
Há um desinteresse, um cansaço e depois há o problema da formação. Eu não quero generalizar, mas esta gente mais nova... Qual é a preparação que tem? Converso com professores e é um susto, desde a língua portuguesa tratada de uma maneira desgraçada, até ao desconhecimento de autores que deviam ter a obrigação de conhecer... Sabem muito bem o eduquês, mas passar além disso, é difícil. Muitos professores com que lido têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Eles fazem com cada erro, que eu fico doida! E não só falam mal como se queixam diante dos miúdos. Podem dizer mal entre eles, mas não diante dos alunos, que depois reproduzem e a balda vai ser completa. A responsabilização dos professores é fraca, eles não são muito seguros e os alunos sentem que os professores não são seguros.

[...] Os professores queixam-se muito que têm de ser pai, mãe, assistente social, educadores... Pois têm! Porque a vida dos miúdos é na escola. Em casa não lhes dão as mínimas noções de educação, o simples “obrigada, se faz favor, desculpe”. Quando os alunos vêem os professores na rua, a berrar e a gritar, o que é que eles pensam? Os alunos manifestam-se para exigir melhor ensino? Não. Não os vejo preocupados porque os professores os ensinam mal.

[...] Estamos a fazer uma geração que não se interessa, não sabe nada, mas berra e grita. E isso perturba-me.

Volto a perguntar, a educação está a perder qualidade?
Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro “Rosa, minha irmã Rosa” e ía falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal. É assustador! Outra coisa assustadora é a utilização da Internet.

Não concorda com o acesso dos mais novos às novas tecnologias?
Estamos a queimar etapas, a atirar computadores para os colos dos miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita.

E os mais velhos?
Os mais velhos, não sabem utilizar a Internet, não sabem pesquisar, eles clicam, copiam e assinam por baixo. Eu chego a uma escola, vou ver e fizeram 50 trabalhos sobre um livro meu, todos iguais, com os mesmos erros e tudo, porque descarregam da Internet. Pergunto aos professores e respondem-me: “Mas eles tiveram tanto trabalho a procurar...” O professor tem que ensinar a pesquisar. Às vezes, estou a falar com os alunos e tenho a sensação nítida de que não estão a perceber nada do que eu estou a dizer.

Essa sensação é generalizada?
No geral, as crianças têm muitas, muitas dificuldades. E os professores, logo à partida, têm medo que os alunos se cansem e nem tentam! “O quê? Dar isso? Eles não gostam, cansam-se”. Há um medo de cansar os meninos. Desde 1974 que os alunos têm sido muito cobaias da educação. E os professores e os alunos não sabem muito bem o que é que andam a fazer... Aconteceu uma coisa terrível é que tudo tem que ser divertido. Há duas palavras que me põem fora de mim: moderno e lúdico! Tudo tem que ser lúdico, tem de ser divertido, nada pode dar trabalho. Não pode ser!

É preciso mudar a mensagem?
Quando vou às escolas esforço-me imenso por transmitir aos alunos que as coisas dão trabalho. E eles olham para mim como se fosse uma coisa terrível.

[...]

Disse que as escolas do interior são diferentes das de Lisboa. Essas diferenças não se devem aos públicos que cada escola acolhe?
Sim, os miúdos de Lisboa têm mais solicitações, ao passo que para os de Trás-os-Montes, a ida de um escritor à escola é uma festa! Em Lisboa já não há lisboetas, há miúdos de todas as terras, de todos os países... E porque é que os miúdos da Europa de Leste se destacam nas escolas? Porque vêm de culturas de trabalho e, desde cedo, ouvem dizer que têm quee trabalhar. Com a democracia, as portas abriram-se, a escola deixou de ser de elite e estão todos na escola. Ainda bem! Mas os professores não estavam preparados para isso e admito que é difícil.

[..]

“Tem de haver regras em casa, como na escola”
Para a escritora Alice Vieira, os pais antes de se envolverem na vida da escola, devem assumir o seu papel como primeiros educadores.

Os pais têm de ser mais envolvidos na vida da escola?
Sim, mas não podem delegar tudo na escola. A questão da violência é um reflexo do que os miúdos trazem de casa. Os pais têm que se envolver mais não apenas para saber as notas do filho ou se o professor falta. A casa é a primeira escola da criança e se em casa não recebe o mínimo de condições, não sabe como estar com os outros, chega à escola e é o que se assiste. Às vezes parece que os pais de agora têm medo de actuar, de falar com os miúdos. Tem de haver limites e os miúdos precisam e querem que esses sejam estabelecidos. Tem de haver regras em casa, como na escola.

Os pais compreendem a contestação dos professores?
Quando há uma greve, os pais pensam: “Que chatice e agora onde é que deixo as crianças?” Há muitos pais que compreendem. Agora outras camadas... Quando os professores se queixam que estão mais horas nas escolas, as pessoas pensam que eles não querem trabalhar. Mas também penso que já perceberam que os professores têm muitas razões.

As manifestações e greves podem levar os pais a transferir os filhos para a escola privada?
Antes, a escola pública era melhor. Se calhar, agora já não é por causa destas convulsões e porque os professores bons se vão reformando. Compreendo que os pais se preocupem e optem por uma privada ou por mandar os filhos para fora.

Bons sonhos...

Esta noite sonhei que era um rio. Um rio pequenino, é certo, que nada mais conhecia além das montanhas onde nascia, dos amieiros e dos juncos que nele se debruçavam. Como todos os rios, o que eu mais ardentemente desejava era desaguar. Comecei a perguntar onde ficava o mar, mas ninguém me sabia responder. Apontavam-me com um gesto vago ora o este ora o oeste. Escolhera já a forma de desaguar – em delta, claro – mas não recolhera ainda o menor indício da proximidade do mar. Uma noite em que estava acampado ente as dunas cheguei finalmente a uma conclusão (a mesma a que todos os rios chegaram talvez antes de mim): o mar não existia.

(E essa conclusão era salgada.)

Jorge de Sousa Braga







(Fotografia tirada perto da Foz do Rio Minho, Agosto de 2008... e que saudades do Verão e de calor...)

Em ano de "crise"...

... eis algo que *não* se recomenda fazer!...

Wednesday, 21 January 2009

Um compasso de espera...


(um registo discográfico que já comprei na net...)

Na janela aberta,
na longa noite que hoje começa,
acendi a candeia que alumia o caminho da
tua alma.
Às vezes, a chama estremece
e é como se quisesses falar no interior da
luz.
Mas nada se ouve.
Em silêncio,
cresce a espiral que apertava o pulso,
as suas ramagens azuis.
Por isso, em inesperada trégua,
roubei ao sol os altos frutos incandescentes
que guardei aqui,
entre arestas de granito e metais sem brilho.
Mas não perdurou o gosto nem o som.
Nada se ouve.
E a candeia acesa,
na janela aberta,
viaja a tua ausência, a tua alma sobre os
meus escombros.

José Agostinho Baptista



(Fotografia de Marta Laura)

Um DVD há muito esperado!



... com uma ária dedicada especialmente aos narcisistas (ver vídeo) ;)




Segundo a Decca, o lançamento será a 2 de Fevereiro. Esperemos, pois, pacientemente...

As previsões apontam para frio, chuva, vento e neve...

Tuesday, 20 January 2009

Um dia na História



Goste-se ou não do estilo, goste-se ou não dos EUA, é indiscutível que hoje ocorreu um momento histórico, do meu ponto de vista.

Fez-me lembrar um outro momento no passado... Lembro-me que os meus pais, numa certa noite de Novembro de 1989, chamaram-me a atenção (quando eu estava entretida com qualquer outra coisa) para o que se estava a passar na TV, "algo importante para a História":





Assim como foi a queda do Muro de Berlim... eu também diria aos meus filhos para eles olharem hoje para a televisão e observarem este momento. É não só a chegada do primeiro afro-americano à Presidência dos EUA... é o fim de 8 anos de governação miserável de G.W.Bush (que momento ele a abandonar Washington DC de helicóptero rumo ao seu rancho no Texas!)... é o início de uma era com um ser humano (sim, não podemos esperar milagres de Obama...) pleno de visão, com uma personalidade inspiradora, a meu ver.

«We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus -- and nonbelievers.
[...]
This is the meaning of our liberty and our creed -- why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent Mall [...] »

Barack Obama (Discurso Inaugural)

P.S. Para quem gosta de música clássica, ver Yo-yo Ma e Itzhak Perlman a tocarem na cerimónia foi muito especial :-)

Um dia de vento... (ventos de mudança?)

Fresco e róseo, o sol ergue-se nas alturas,
No remoto azul o mar corre pelos seus canais,
O vento levanta-se sobre o peito do mar, soprando em direcção à terra,
O grande vento do Oeste ou do Sudoeste,
Flutuando agilmente com a espuma das águas, branca como o leite.

Mas eu não sou o mar nem o sol vermelho,
Não sou o vento que ri como as raparigas,
Nem o vento imenso que fortalece, nem o vento que açoita,
Nem o espírito que martiriza o seu próprio corpo até ao terror e à morte,
Sou aquele que, invisível, vem cantar, cantar e cantar,
Que fala e fala nos regatos e esvoaça sobre a terra,
Sou aquele que os pássaros conhecem de manhã e de tarde nos bosques,
E conhecem as praias, a areia, as ondas sibilantes, a insígnia e a bandeira,
Que lá no alto ondulam e ondulam.

Walt Whitman, in "Folhas de Erva"




(esta música é para os que me dizem que às vezes este blog é um tanto "intelectual" ;) como podem ver, nem só música clássica pára por aqui LOL)


(Fotografias de Washington DC, tiradas entre 2005 e 2009)

The Day of Hope


Monday, 19 January 2009

É embevecida...

... em silêncio que olho pela janela do avião e me maravilho com a beleza das paisagens. Não temos um Mundo fantástico?


(Fotografia tirada a sobrevoar o Norte de Espanha, Janeiro de 2009)


Em silêncio

para dizer
que o céu é azul
que os corpos se movem no espaço
que doce é a tua boca
e amargo o teu desprezo

para dizer tudo isto
bastam-me os sentidos

as palavras
não dizem o mundo

dizem o desejo
de dizer o mundo

Luís Ene



Um calendário que chega amanhã ao fim


Contrariamente ao que é habitual (normalmente os calendários seguem de 1 de Janeiro até 31 de Dezembro), o meu calendário de secretária chega amanhã ao fim. E já não era sem tempo!! Finally, the end is really near!


Amanhã vai ser um dia especial...

Já de regresso a Aveiro...

... início de mais uma semana, e começar a "dar vazão" à lista de tarefas (que começa a crescer a "olhos vistos"!). E algumas tarefas são mais difíceis do que parecem (ver cartoon) ;) O regresso de uma viagem is always fun... Boa semana.


Sunday, 18 January 2009

Os dias constroem-se...




Estou aqui construindo o novo dia
com uma expressão tão branda e descuidada
que dir-se-ia
não estar fazendo nada.
E, contudo, estou aqui construindo o novo dia.

Porque o dia constrói-se; não se espera.
Não é sol que deflagre num improviso de luz.
É um orfeão de vozes surdas,um arfar de troncos nus,
o erguer, a uma só voz, dos remos da galera.

Cantando entre os dentes
um refrão anidro
abro linhas quentes
com um escopro de vidro.
Abro linhas quentes
sem tremer a mão,
com um escopro de vidro
de alta precisão.

António Gedeão


(Fotografia tirada em Vila do Conde, Julho de 2008)

Dormir, dormir e dormir...

... no horário de Portugal, claro está... o melhor remédio para recuperar do jet-lag e enfrentar uma nova semana de trabalho.


Saturday, 17 January 2009

Recarregar energias


(Foto de Muait)

Depois de uma viagem...
... depois de um dia de trabalho...
... é necessário parar e recarregar energias. Bom fim de semana.

video
(Um exemplo de uma pausa... Vídeo captado depois de um dia intenso em reuniões... a Moura Aveirense é surpreendida por música ao vivo no restaurante onde jantava. Com o frio e a neve que se fazia sentir lá fora, foi bom relaxar ao som de country, blues, e com uma lareira acesa por perto)

Friday, 16 January 2009

Jet-lag in full force...

Os meus horários estão todos ao contrário...


Thursday, 15 January 2009

Nem dá para acreditar...

Moura Aveirense a "folhear" a edição online do publico.pt... e a ficar abismada com a seguinte notícia...

«O que era para ser uma tertúlia descontraída, transformou-se num monte de polémicas sobre as declarações do patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Anteontem à noite, numa iniciativa que comemora os 125 anos do Casino da Figueira da Foz, o cardeal afirmou que o diálogo com os muçulmanos é "difícil" e aconselhou as jovens portuguesas a pensar bem antes de casar com muçulmanos.
[...]
Foi numa tertúlia com Fátima Campos Ferreira, da RTP, em resposta a uma pergunta sobre a relação com o islão, que o patriarca deu "um conselho" às jovens portuguesas: "Cautela com os amores, pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem; pensem muito seriamente. É meter-se num monte de sarilhos, nem Alá sabe onde é que acabam."»

"O diálogo com os muçulmanos é difícil"?!? A Moura Aveirense acha que é difícil o diálogo com este tipo de católicos, intolerantes, que não toleram qualquer outro tipo de ideologia que não a deles. Conheço alguns muçulmanos, e são excelentes pessoas (porque é que não haveriam de ser?!?), extremamente tolerantes.

Mas antes de sair para a rua...



Está tanto frio, credo!... Tempo para me agasalhar melhor... Gorro-nível-3, casaco-nível-3, gola alta, cachecol, luvas... Espero que em Portugal já esteja mais quentinho, para quando eu chegar :-) See you there!

De regresso...




Mais uma visita aos EUA que finda. Missão cumprida. Daqui a alguns meses há mais ;) Agora é tempo de regressar a casa.


Desejo de Regresso

Deixai-me nascer de novo,
nunca mais em terra estranha,
mas no meio do meu povo,
com meu céu, minha montanha,
meu mar e minha família.
[...]


Cecília Meireles

(Fotografia tirada a sobrevoar o território norte-americano, Janeiro de 2009)

Wednesday, 14 January 2009

Change a Pet's Life Day

Hoje comovi-me com esta foto tão bonita, ao ler a notícia do jornal USA Today que colocam à porta do meu quarto de manhã.



A notícia de que Obama vai adoptar um cão de um abrigo veio dar atenção a esta realidade... a de centenas de animais que esperam por um dono amigo.


Escolham o vosso caminho...





... e, principalmente, sigam o vosso coração. Como "there's no place like home", a Moura Aveirense regressa em breve a casa.


(Fotografia tirada no Museum of American History, Washington DC)


No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

Meetings and more meetings...

... e, em algumas reuniões, nem sempre o planeamento and the expectations correspondem à realidade...


Tuesday, 13 January 2009

I have a dream...

... actually I have many dreams :-)



But it was here, in this exact place, in front of the Lincoln Memorial and facing Washington Monument that Martin Luther King, Jr. made his "I have a dream" speech, in 1963. A "must-do" place when you visit Washington DC!




Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

[...]

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

Ar condicionado ligado...

A Moura Aveirense detesta ar condicionado... mas tenho de me render a ele, durante estes dias...

Monday, 12 January 2009

Um português na Casa Branca

Moura Aveirense reading today's newspaper... Related with the choice of a dog to the White House, and according to USA Today, «Sunday, President-elect Barack Obama told [...] that the family has narrowed the choice to either a Portuguese water hound or labradoodle».

:-) Será que vamos ter um cão de água português na Casa Branca?!?


(Fonte: Wikipedia)

É impossível estar muito tempo na rua...

... aqui em Washington DC. A Moura Aveirense odeia frio, como bem sabem. Hoje é dia de trabalho, logo para estar "indoor", felizmente. Quando entro num edifício, vinda da rua, é altura da imensa "logística" de retirar gorro, luvas, cachecol, etc... sinto a minha cara lentamente a descongelar... o nariz é normalmente o último a aquecer.

Sunday, 11 January 2009

Foi bonita a festa, pá!



Em Washington DC já começaram os preparativos para a "Inauguration" (como é intitulada a tomada de posse) do próximo dia 20. Vive-se um espírito de excitação por toda a cidade, não se fala noutra coisa (no rádio, na TV, as pessoas na rua...), há imensas lojas com "Obama-merchandising"... só visto! A população de DC está mesmo entusiasmada. Bem, para não falar, claro, do imenso dispositivo de segurança estabelecido nos principais pontos da cidade (Casa Branca, Capitólio, Washington Monument, Lincoln Memorial...); o som a sirenes de carros da polícia e a helicópteros é uma constante.

Como é que se passa uma manhã de domingo (fria, bem fria) em Washington DC? A Moura Aveirense deparou-se por acaso com o "ensaio geral" da tomada de posse, à parada de militares e outros grupos (de cidadania, por exemplo, com grande destaque à participação de afro-americanos) em plena Pennsylvania Avenue, desde o Capitólio, passando pela Casa Branca :-) Já que não estarei aqui no dia da tomada de posse, pelo menos assisti ao "ensaio geral". Muito bom! Quanto ao principal "protagonista" (Obama), hoje não participou, foi substituído por um actor ;)

O filme que aqui deixo foi captado mesmo junto da bancada onde, daqui a 10 dias, estará Obama a ver desfilar toda a "parade"... garanto-vos que o senhor que hoje limpava os vidros (à prova de bala, decerto) muito afincadamente deve ter sido a pessoa mais fotografada de toda a manhã LOL

video

Hoje a Moura Aveirense está assim...

... como o "Ozzie", coberta de roupa, casaco-nível-3, gorro, cachecol, luvas... Em Washington DC não neva, mas que está frio, ahhh isso está! O que vale é que em Washington DC há imensas opções para passar um fim de semana "indoor" (nomeadamente, museus completamente grátis!).


Saturday, 10 January 2009

Momentos em viagem...


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...




É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...



[...]

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!


video

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...


[...]

Augusto Gil



(De cima para baixo: fotografias tiradas a sobrevoar a Alemanha e o Canadá; vídeo e última fotografia na University of Michigan, Ann Arbor)

Neve: Portugal vs. EUA

A Moura Aveirense lê no site publico.pt: «Metade dos distritos portugueses com estradas cortadas ou condicionadas»...

Se em Michigan fosse assim, teriam que cortar estradas e fechar escolas durante cerca de dois-três meses por ano. E não me venham com a justificação que o nosso clima não justifica a existência de serviços de limpeza de neve nas estradas... É perfeitamente ridículo que se fechem estradas cada vez que caem uns floquitos de neve.

Em Michigan reparei na eficiência dos serviços de limpeza. Começa-se imediatamente a limpar os passeios (para a neve não acumular); quando há avisos de tempestade de neve as pessoas não podem deixar os seus veículos em vias onde poderão "empatar" o trabalho dos limpa-neves, sob pena de serem multadas; os lojistas são obrigados a limpar a neve e a retirar o gelo dos passeios em frente dos seus estabelecimentos. Assim, com um esforço conjunto, com a participação de todos, se continua a viver e a trabalhar, mesmo que neve interruptamente durante várias semanas seguidas.


(Fotografia tirada ontem em Ann Arbor, Michigan)

Nevou esta noite...


... em Ann Arbor. Aliás, está quase sempre a nevar por estas bandas! A Moura Aveirense não vai poder, infelizmente, ficar na caminha e já está pronta para voar para outro Estado.
E por terras lusas, sempre se concretizaram as expectativas de neve no litoral, Lisboa e Algarve incluídos?

Friday, 9 January 2009

Já nevou em Aveiro?

Pelo que me chega através das notícias do publico.pt, Portugal está coberto de neve, está tudo por aí a "bater o dente". Podem informar-me se já nevou em Aveiro? Logo agora que eu viajei é que começa a nevar por terras lusas... Caros leitores, keep me updated!

Bem, com falta de neve é que a Moura Aveirense não se pode queixar... vejam o vídeo, filmado esta tarde na "downtown" de Ann Arbor, na University of Michigan, por volta dos -10ºC, mais coisa, menos coisa.

video

É uma sensação tão bonita ver a neve a cair. A Moura Aveirense até se esqueceu que estava frio... é engraçado sentir os flocos de neve a pousarem na nossa cara.

Descongelar o "bichinho"...

Manhã de ontem, céu limpo, madrugada fria, mas sem ocorrência de neve...

No melhor aeroporto da Europa em 2007 atrasa-se um voo durante duas horas para descongelar (de uma maneira bastante "artesanal", do meu ponto de vista, com uma mangueira de ar) as asas de um avião, comprometendo as conexões aéreas de dezenas de pessoas. Obviamente que tinham de descongelar o avião, mas não daquela maneira arcaica. As assistentes em terra diziam que não era muito habitual aquela situação (terem que descongelar as asas de um avião) naquele aeroporto... Só visto...

Thursday, 8 January 2009

Neve! :-)



A Moura Aveirense já chegou à região de Detroit, onde estão -3ºC (mas que se sentem como -9ºC, segundo o weather.com...). Claro que neve é o que não falta... mas dentro dos edifícios está tão quentinho, há pessoas de T-Shirt (!!).

Livro de viagem...

... como não podia deixar de ser! LOL


Voo atrasado...

Não compreendo como é que num aeroporto que ganhou o prémio de melhor aeroporto da Europa em 2007 não existe nas portas de embarque nenhum sítio onde ligar equipamentos electrónicos à electricidade... e onde se gela de frio, insuportável!

Wednesday, 7 January 2009

Primeira viagem de 2009

A Moura Aveirense regressa aos EUA em trabalho, na sua primeira viagem de 2009!

Tal como no ano passado (em que estive a sentir a vibração "pré-eleitoral", na semana anterior às eleições), agora decerto vou sentir as vibrações "pre-inauguration" (a tomada de posse do Obama é no dia 20 de Janeiro). Aliás, por estes dias Washington D.C. já deve estar em estado de alerta máximo, no que se refere à segurança, pois Obama já se encontra em DC (num hotel perto da Casa Branca, que deve estar a ser guardado por todos os lados... mas, segundo dizem, o hotel está assombrado ;) ...).

Amanhã é um dia perdido em aeroportos e viagens de avião... como sempre, selecciono sempre imensas coisas para me ir distraindo (entre livros, trabalho para acabar... a tudo se dá vazão nestas ocasiões, para não se cair na impaciência!...).



Só esperemos que, mesmo com a crise económica, não se chegue à situação retratada no filme ;)




I will come back do this blog ASAP (as soon as possible), so keep posted... Por agora, a difícil e árdua tarefa das malas (sabendo que vou apanhar temperaturas a rondar os -12ºC...)...

Tuesday, 6 January 2009

Luz verde

É muito bom quando se tem luz verde para avançar com os nossos projectos e objectivos...


(Fotografia tirada em Washington D.C., há um ano atrás)


... mas os dias que antecedem uma viagem, por mais curta que ela seja, são sempre intensos. Uma coisa é certa: ao entrar no avião, o que está, está; o que não está, estivesse... bem, ou leva-se para resolver na estadia (que é o meu caso, alguns assuntos têm de ser "trabalhados"...).

Este é um disco que adoro que fala exactamente sobre o tempo... a ouvir uma amostra, aqui.


Chama-se amor a isto:
beber horas roubadas,
no receio constante
de que alguém as descubra
. . . . . (assim se tem cadastro!);
morder com pressa
a polpa dos minutos,
sem lhes sorver o sumo,
sem lhes tirar a casca
. . . . . (assim se apanham úlceras!);
ter este modo brusco
de engolir os segundos,
como se fossem cápsulas
de qualquer barbitúrico
. . . . . (assim se morre às vezes!)
O culpado: este cão
que trazemos bem preso,
todo agarrado ao pulso,
e a que chamamos Tempo.
. . . . . (sempre a ganir de susto.)

David Mourão-Ferreira

Dia de Reis...

... dia em que normalmente se retiram e guardam as decorações natalícias...


Monday, 5 January 2009

Um dia intensíssimo!...

... vivido ao milímetro, para riscar várias tarefas da agenda... e que ainda não acabou, uffff!... para começar o ano, não está mal... é em dias como este que me lembro do poema de Carlos Drummond de Andrade, que transcrevo abaixo... Boa noite.




Un pensiero nemico di pace - Cecilia Bartoli

Cortar o Tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante,
vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade


(Fotografia tirada no Musée d'Orsay, Paris, Maio de 2008)

Depois das festas natalícias...

... é tempo de regressar ao trabalho, com garra e motivação! O país regressa hoje ao ritmo normal! Bom início de semana.

Sunday, 4 January 2009

Banda sonora no carro...




Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes
Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.
Mas não queiram convencer os cardos
a transformar os espinhos
em rosas e canções....

José Gomes Ferreira



(Fotografia de Marco Guerra)

Saturday, 3 January 2009

Planos para 2009 (III)



Friday, 2 January 2009

Vivaldi Edition


Alguém me sabe dizer quando é que chega a terras lusas o último CD da "Vivaldi Edition", com a ópera "La fida ninfa"?? Os discos de música clássica estão a demorar cada vez mais a cá chegar, que desesperoooooo!


Fazer da areia, terra e
água uma canção
Depois, moldar de
vento a flauta
que há de espalhar
esta canção
Por fim tecer de amor
lábios e dedos
que a flauta animarão
E a flauta, sem nada
mais que puro som
envolverá o sonho da canção
por todo o sempre,
neste mundo

Carlos Drummond de Andrade



(Fotografia tirada no Musée d'Orsay, Paris, Maio de 2008)

Distribuem-se desejos de Feliz Ano Novo...

...a todos os Amigos, conhecidos, familiares...



Thursday, 1 January 2009

Mais um ano que começa... e a vida continua a fluir...

A ouvir a "Passacaglia della Vita"...




Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade
(descoberto no blog
Maria Pudim)


(Fotografia das Wahkeena Falls, Oregon, EUA, Junho de 2008)

Calendários & Agendas









Adoro calendários novos, plenos de arte e literatura! :-) Dentro ou fora de casa, a Moura Aveirense traz sempre um calendário ou agenda para planear os seus dias (aliás, a agenda de Monet relativa a 2009 já entrou em "acção" há uns dois meses...).

Feliz Ano Novo!