Wednesday, 31 December 2008

Retrospectiva 2008 - A descoberta musical do ano!

O grupo de "fado" Deolinda :-)

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Desejo a todos umas excelentes entradas em 2009. Vai ser um ano de desafios e de mudanças, pelo menos para mim. A todos que passam por este "canto" um abraço amigo. Vemo-nos no próximo ano.


O céu estará límpido.
As ruas abrir-se-ão
na colina de pinheiros e de pedra.
O tumulto das ruas
não mudará esse ar parado.
As flores das fontes
salpicadas de cores
abrirão os olhos como mulheres
divertidas. As escadas
os terraços as andorinhas
cantarão ao sol.
Abrir-se-á aquela rua,
as pedras cantarão,
o coração baterá em sobressalto
como a água nas fontes -
será esta a voz
que subirá as tuas escadas.
As janelas saberão
o odor da pedra e do ar
matinal. Abrir-se-á uma porta.
O tumulto das ruas
será o tumulto do coração
na luz extraviada.

Serás tu - quieta e clara.

Cesare Pavese



(Fotografia tirada em Lisboa, Dezembro de 2008)

2008 chega ao fim... um grande Ano!



Tuesday, 30 December 2008

Retrospectiva 2008 - O melhor das viagens!

A região do Oregon, nos EUA, com as suas belas cascatas (pena ter estado sempre a chover)...

... a descoberta da monumental e vibrante Salamanca...


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... o regresso (ainda que por poucas horas) a New York City, em tons outonais...

... Paris, bela como sempre...

E em Portugal...

... a descoberta de S. Pedro do Sul...

... a beleza selvagem do Minho...


... redescobrir belezas do nosso património, em Tomar, Batalha e Alcobaça...


E, acima de tudo, a Moura Aveirense fartou-se de andar, para conhecer tudo! Que 2009 seja igualmente um ano de muitas e boas viagens :-)

«As terras conhecem-se com os pés»

Miguel de Unamuno


(Fotografias tiradas em 2008 entre Ponte de Lima, Salamanca, Curia, Lagos, Paris, S. Pedro do Sul, Multnomah Falls, Tomar e New York City)

Retrospectiva 2008 - O pior nas viagens...

A desilusão em...

... Zamora, por ter feito 1h de viagem de propósito para ir lá, e depois não ter ficado nada encantada... talvez as expectativas estivessem demasiado elevadas, devido ao papel de Zamora na nossa História...

... Portland, nada bonita... pela primeira vez, não me senti segura numa cidade dos EUA... e pela Moura Aveirense ter ficado mal-disposta do estômago a meio da viagem, facto que me deu alguns momentos de aflição :(

... Louisville, cidade sem o mínimo de interesse, do meu ponto de vista... felizmente estava tanto frio que nem saí muito do hotel...

... e Pombal, pelo estado de verdadeiro abandono do seu castelo, que até dá pena... e do Centro Histórico quase sem actividade numa tarde de sábado (quando poderia ser o dia em que eventuais turistas - como eu! - quisessem aproveitar a cidade)...



Mas como temos de terminar o ano de um ponto de vista positivo, no post seguinte indica-se o melhor das viagens... e é tão fantástico viajar (ver vídeo)...


Retrospectiva 2008 - O Livro do Ano!

Pela belíssima edição... todos os livros desta edição são belíssimos, aliás.

Um livro que não apetece só ler, mas também tocar, afagar, de tão bonito que é... e por me fazer recordar uma viagem marcante que fiz em Janeiro de 2007. É engraçado, este livro é composto por textos escritos na década de 60, mas há parágrafos inteiros que me fazem lembrar fragmentos da minha viagem à Índia.

"Uma Ideia da Índia", de Alberto Moravia, é a minha escolha.






Books are the quietest and most constant of friends; they are the most accessible and wisest of counselors, and the most patient of teachers.

Charles W. Eliot

(Fotografia tirada na região de Goa, junto a um templo hindu, Janeiro de 2007)

Planos para 2009 (II)

Monday, 29 December 2008

Retrospectiva 2008 - O CD do Ano!



Para a Moura Aveirense, que até não é uma particular adepta de Chopin, ter um novo CD de Maria João Pires foi um grande acontecimento.

Vi no fim de semana um documentário sobre ela na RTP 2... pelos vistos, continua os ensinamentos de Belgais em Salvador da Bahia. Portugal continua a ser um país que não dá muito valor aos seus cidadãos mais ilustres. É pena...






The joy of music should never be interrupted by a commercial.

Leonard Bernstein


(Fotografia tirada em Belgais, na casa da pianista Maria João Pires, Dezembro de 2003)

Planos para 2009 (I)


Sunday, 28 December 2008

Retrospectiva 2008 - O Concerto do Ano!

Depois de muito pensar e ponderar entre Cecilia Bartoli, Bobby McFerrin e Sara Mingardo... a Moura Aveirense escolhe o concerto da Cecilia Bartoli na Gulbenkian, a 9 de Fevereiro de 2008.

Vai um passinho de dança? ;)

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(por gentileza da L., a quem agradeço)

Music is the poetry of the air.

Richter

As "loucuras gastronómicas" continuam...



... sim, dieta só mesmo em 2009... estas semanas das Festas são mesmo uma loucura...

Saturday, 27 December 2008

Luz



Num dia tão escuro e chuvoso como o de hoje, a Moura Aveirense escreve um "post" cheio de luz.

Já falei
aqui da luz de Lisboa... mesmo no Inverno, em dias límpidos como os que estiveram esta semana, a luz encandeia-nos os olhos e transmite-nos sentimentos tão positivos. Adoro o Tejo nestes dias. E foi recentemente que me reencontrei com o Cais das Colunas, até há pouco tempo escondido no imenso estaleiro que tem sido o Terreiro do Paço. Engraçado ver tantos lisboetas a admirarem o Cais (e não os turistas vindos de fora) e a tirarem fotografias... e a aproveitarem que ainda se pode vislumbrar - visto que vão voltar a tapá-lo, devido a obras de saneamento :(

E para abrilhantar um dia destes, que tal um pouco de Monteverdi "temperado" com uma pitada de jazz? ;) Um registo discográfico quase, quase a sair...





Levar-te à boca,
beber a água
mais funda do teu ser -

se a luz é tanta,
como se pode morrer?

Eugénio de Andrade

Resmas e resmas de paciência...

... é o que se precisa, quando se tem que ligar para um serviço telefónico de atendimento... Ufffff!

Friday, 26 December 2008

Como foi o vosso Natal?




Natal. Na província neva.
Nos lares aconchegados
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

[...]

Fernando Pessoa


(Fotografia tirada em S. Pedro do Sul, Novembro de 2008)

Mais um Natal que passou...



... para aqueles que perderam a trajectória feita pelo Pai Natal, só resta esperarem pelo próximo ano ;)

Thursday, 25 December 2008

Algumas "manias" natalícias...











A Minha Herança
Barack Obama


As revelações de Barack Obama, um livro revelador da personalidade do homem que se pode tornar num dos mais poderosos do mundo.

Nestas memórias líricas, isentas de sentimentalismo e irresistíveis, o filho de um pai africano e uma mãe americana branca procura um significado explorável da sua vida como americano negro. Começa em Nova Iorque, onde Barack Obama fica a saber que o seu pai – uma figura que conhece mais como mito do que como homem – morreu num acidente de viação. Essa morte súbita inspira uma odisseia emotiva – primeiro, até uma pequena cidade do Kansas, a partir da qual segue a migração da família da sua mãe até ao Havai, e depois até ao Quénia, onde conhece o lado africano da família, enfrenta a verdade amarga da vida do seu pai e, por fim, concilia a sua herança dividida.
Sem meias palavras, Obama revela, em A minha Herança, pormenores da sua vida que mostram como um adolescente revoltado se transforma na grande aposta de renovação da maior potência global. Comparado a Kennedy pela sua capacidade de animar os eleitores e oferecer uma nova liderança, Obama revela-nos nesta obra a sua história, a forma como ele vê e encara o mundo.

(Fonte: Fnac.pt)




A Vida num Sopro
José Rodrigues dos Santos


Um romance para compreender o Século XX português. Um thriller histórico refrescante que traz o grande romance de volta às letras portuguesas.

Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo.
Portugal, anos 30.

Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país.
Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE abafa a oposição.

Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.

(Fonte: Fnac.pt)




JERUSALEM: City of two Peaces - Heavenly Peace and Earthly Peace
Jordi Savall; Montserrat Figueras; Unesco 'Artists for Peace'


Jordi Savall and Montserrat Figueras, in the company of Jewish, Christian and Muslim musicians from Israel, Palestine, Greece, Syria, Armenia, Turkey, England, France, Spain, Italy, Belgium, as well as their own ensembles Hesperion XXI and Capella Reial de Catalunya, portray the chequered fortunes of Jerusalem in a freize of texts and music evoking her protagonists. Jewish, Arab and Christian music from ancient times to the present day highlights Jerusalem as a city that looks forward to the possibility of achieving the two peaces proclaimed in its name.

"This project was conceived as a hommage to Jerusalem, the city endlessly built and destroyed by man and his quest for the sacred and for spiritual power. Through the power of music and words, this fruit of passionate amd committed collaboration of musicians, poets, researchers, writers and historians from 14 nations as well as Alia Vox and the CIMA Foundation teams, has become a fervent invocation to Peace."

Jordi Savall and Montserrat Figueras, Autumn 2008

(Fonte: Amazon)

É manhã de Natal...



Até os nossos amiguinhos de quatro patas sentem algo diferente no ar...




Wednesday, 24 December 2008

Um Feliz Natal para todos...

... os que passam por este meu "canto", é o que mais desejo. Obrigada pelos comentários que aqui deixam e pela partilha de fragmentos de vidas, mesmo se só nos conhecemos "virtualmente". Uma palavra especial à Gi, ao João e ao Paulo, que vim a conhecer pessoalmente, devido à mútua "paixão" pela música clássica - aqui lhes deixo um pouco de Bach...




É bom viver o Natal perto daqueles que amamos, em que todos têm saúde e a vida nos corre bem. Isto, sim, é a melhor prenda de Natal...

Um excelente Natal para todos! E não abusem dos doces... trouxe de terras Aveirenses imensos doces (ovos moles, pão de ló, etc, etc) e já comecei a "loucura" :P


Natal

Deito-me à sombra da árvore sem sombra - a árvore
cujas raízes nascem da infância - e é natal, e
nunca mais chega a meia-noite
dessa noite sem fim. Rezo pelas
mais obscuras incertezas, pelas almas que
hesitam nas encruzilhadas, pelos vagabundos que
esperam a meia-noite para se sentarem à porta da igreja,
na única noite em que têm onde se sentar. Aprendi
com eles o destino dos passos humanos, a ausência
de deus nos caminhos do mundo, o silêncio
do céu nas noites sem lua. Joguei com as suas cartas
enquanto a missa não acabava, aproveitando o calor
que saía pela porta da igreja, e ouvindo o refrão
dos mortos no cemitério do adro. Aceitei
a sua batota - por essas almas que nos ouviam
enquanto o jogo mudava de parceiros. Paguei
o dinheiro que me exigiam à entrada, para que
não tivesse de os acompanhar na barca do tempo; e
vi-os fazerem-me adeus, antes que o esquecimento
os vestisse de obscuridade.

E conto, agora, as bolas douradas que enfeitam
a árvore - sem nunca chegar ao fim. Conto-as, no entanto, enquanto as vou
colhendo, como se fosse o tempo dos
frutos. Uma a uma, essas bolas amontoam-se na minha memória,
dando um rosto a cada um desses que batiam à porta da noite, pedindo o pão
que sobrara do natal. Ouço-os
baterem, agora, à porta do poema; distribuo por eles
cada uma destas palavras, para que as levem consigo - e
eles deixam-me o pó, a cera de velas consumidas até ao fim
da sua eternidade, o refrão dos mortos em resposta
ao latim do padre. Pergunto-lhes o caminho para esse
adro da infância; peço-lhes que me devolvam a moeda que
lhes emprestei para pagarem ao barqueiro. Desaparecem,
um a um, sem nada me dizerem.

Rezem por mim!, digo-lhes. E eles não me ouvem,
como se o seu destino fosse o da sombra, cujos frutos conto,
um a um, enquanto espero a meia-noite.

Nuno Júdice


(Fotografia tirada em S. Pedro do Sul, Novembro de 2008)

Depressa, é tempo de embrulhar as últimas prendas!

Tuesday, 23 December 2008

O que é para mim o Natal?

Estar em casa quentinha, junto à lareira (com o meu cão a "ressonar" junto de mim), com as pessoas que são essenciais para mim... que elas continuem a estar por perto por muitos e muitos anos, com saúde, é tudo o que eu peço. Há pessoas que não estão cá aqui "presencialmente" (uma está a alguns milhares de quilómetros de distância...)... fazem-me muita falta, mas sinto-as bem perto, no meu coração.

Bons preparativos!



Há sempre um deus fantástico nas casas
Em que eu vivo, e em volta dos meus passos
Eu sinto os grandes anjos cujas asas
Contêm todo o vento dos espaços.

Sophia de Mello Breyner Andresen



(Fotografia tirada em S. Pedro do Sul, Novembro de 2008)

Pedidos para o "Pai Natal"... (II)



Monday, 22 December 2008

Para nos aquecer no Inverno...

... basta uma destas tardes de sol belíssimas que se têm feito sentir...

... basta um beijo e um abraço...

... basta um chocolate quente...

... basta trincar um pão acabado de sair do forno...

... basta uma lareira acesa, enrolada num cobertor...

Mais sugestões?

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(retirado algures in the middle of the web...)


Tarde com sol

As coisas simples dizem-se depressa ; tão depressa
que nem conseguimos que as ouçam. As coisas
simples murmuram-se; um murmúrio
tão baixo que não chega aos ouvidos de ninguém.

As coisas simples escorrem pela prateleira
da loja; tão ao de leve que ninguém
as compra. As coisas simples flutuam com
o vento; tão alto, que não se vêm.

São assim as coisas simples: tão simples
como o sol que bate nos teus olhos, para
que os feches, e as coisas simples passem
como sombra sobre as tuas pálpebras.

Nuno Júdice



(Fonte: http://alittlebitcrasieh.blogspot.com/)

A Universidade de Aveiro passa a fundação

Comunicado da Sra. Reitora Maria Helena Nazaré:

«A Assembleia Estatutária da Universidade de Aveiro deliberou por unanimidade, em reunião hoje realizada, solicitar a transformação desta Universidade em fundação pública com regime de direito privado. Na mesma sessão, a Assembleia Estatutária aprovou ainda os novos estatutos da Universidade de Aveiro.

Estas deliberações culminam um ano de trabalho empenhado dos membros desta Assembleia, docentes, alunos e individualidades externas, a quem manifesto o meu público reconhecimento pelo serviço que prestaram à Universidade de Aveiro.

Encontra-se assim configurado um novo modelo de enquadramento, de governo e de organização, que visa proporcionar condições de médio prazo para a continuada melhoria do serviço público prestado pela Universidade de Aveiro, em matéria de investigação, ensino e cooperação com a sociedade.

No âmbito deste processo, e tendo por base o projecto de desenvolvimento da UA, foi estabelecido um acordo de princípio com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para a celebração de um contrato-programa. Esse contrato, baseado em objectivos de desempenho, permitirá, designadamente: o reforço das infra-estruturas e equipamentos, científicos e de ensino; a contratação de recursos humanos qualificados; o desenvolvimento de medidas específicas de apoio aos estudantes e à promoção da qualidade do ensino; o reforço de medidas transversais de garantia da qualidade.


A decisão hoje tomada marca o início de uma nova etapa: 2009 será um ano especialmente exigente, em que é necessário concretizar o processo de mudança. Conto, como sempre, com a colaboração empenhada de todos!»

Pedidos para o "Pai Natal"... (I)



Que os pais não exagerem nas prendas para as criancinhas, é verdadeiramente um exagero... seria melhor que o Natal fosse todos os dias e os pais dessem mais do seu tempo para brincar com os seus filhos... este fim de semana vinha um artigo no semanário Expresso sobre este tema ("Psiquiatras aconselham moderação nas prendas").

«Os pais devem estabelecer limites para tudo menos para o amor firme.»

Daniel Sampaio, in Expresso (20/12/2008)

Sunday, 21 December 2008

E para quem prefere algo mais doce...


(Fonte: http://www.chocolatechocolate.pt)

... a loja "Chocolate chocolate" abriu recentemente no centro de Aveiro, muito perto da Câmara Municipal. Ao entrar pela porta estreita, sente-se que se acaba de penetrar num reino mágico do chocolate, tal é a profusão de coisas doces que nos enchem os olhos. Mais fotografias tentadoras, aqui.

É pena que o espaço não seja maior para se colocarem mais mesas e cadeiras, e ficar a disfrutar longamente de um chocolate quente... era bom que também houvessem uns scones quentinhos... desde que a casa de chá "Doce tradição" foi encerrada (segundo sei, pela ASAE...) que a Moura Aveirense está inconsolável, com falta de um sítio especial em Aveiro que tenha chás, doces caseiros e scones acabados de fazer... Era um local tão acolhedor e familiar, principalmente para fins de tarde outonais ou de Inverno, para estar depois de um dia de trabalho a tomar algo, enquanto se folheava uma revista de viagens (que lá tinham)... Algum dos leitores Aveirenses conhece um local assim que me possa sugerir?

Gastronomia alternativa em Aveiro

É engraçado que vejo que muitas das pessoas que visitam este blog, chegam cá com a seguinte pesquisa no google: "o melhor restaurante em Aveiro" (e também com a expressão de pesquisa "naco na pedra" LOLOL). Bem, sobre a minha preferência, já falei aqui, para mim "O Telheiro" é inultrapassável - provei lá recentemente a tarte de maracujá... please, não percam!

Se bem que Aveiro tenha o melhor em termos de gastronomia portuguesa, o mesmo não se pode dizer sobre a variedade de cozinhas de outros países. Uma das excepções é o "Rang Mahal", onde regressei recentemente com Amigos. É intitulado um restaurante de comida indiana & italiana (percebo que deve ser por razões de sobrevivência que têm de ter comida italiana... eu pessoalmente gosto mais que um restaurante mostre exclusivamente um tipo de gastronomia), mas se lá forem, optem pela comida indiana, muito bem confeccionada. Eu comi o meu prato favorito "Chicken biryani", um prato de arroz & frango muito popular na India (em baixo, à esquerda na fotografia).



Gostei muito do que comi, mas claro que aqui os pratos são adaptados aos "paladares" nacionais ;) com mais contenção na dose de picante!


(Fotografia tirada em Panjim, Goa, India, Janeiro de 2007 - de longe a comida mais picante que comi na vida!! O copo sempre cheio de água era essencial ;) ... mas muito saboroso!)

E chegou o Inverno...


Saturday, 20 December 2008

O Inverno está a bater à porta...

... amanhã, mais precisamente às 12h04m, ele entrará e instala-se por três meses... é altura de recolhimento e agasalho.

Sei que tem de ser... mas devo confessar que já sinto falta do Verão, principalmente dos dias longos. Não gosto nada dos dias a acabar às cinco da tarde... Que pelo menos continuem as tardes luminosas, ainda que a arrefecerem à medida que se aproxima o pôr-do-sol. Gosto particularmente da leve neblina que costuma cair sobre Aveiro, deixando a cidade com um pingo de mistério e muito charme!



And Winter Came - Enya

O Inverno

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.
Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,
O chão onde passa
Parece um lençol.
Esqueceu as luvas
Perto do fogão:
Quando as procurou,
Roubara-as um cão.
Com medo do frio
Encosta-se a nós:
Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.
Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.

Eugénio de Andrade



(Fotografia tirada hoje, último dia de Outono, em Aveiro)

Os últimos preparativos para a quadra natalícia...


Friday, 19 December 2008

Outras manias...

As pessoas mais chegadas sabem que não sou muito dada a estar sempre enfiada em lojas de roupa... mas gosto particularmente do estilo da roupa da Massimo Dutti (passo a publicidade). Se a pessoa escolhe a roupa de acordo com a sua personalidade, aquela é a loja onde encontro peças com as quais me sinto confortável e bem ("casual chic", segundo alguns?)!

É engraçado que esta e outras lojas de roupa têm andado um tanto vazias, devido à "crise"... obviamente, as pessoas decidiram esperar pela altura de saldos... engraçado também que hoje, 19 de Dezembro, antes do Natal, toda(o)s a(o)s clientes da Massimo Dutti receberam um sms/email a anunciar promoções... pois bem, a loja que até agora andava um tanto vazia ficou virada do avesso! Engraçado isso... e, decerto, as pessoas compram coisas nos saldos que nunca pensariam comprar na "época normal" e que se calhar nem precisam assim tanto.


A Moura Aveirense levou 20 minutos na fila para pagar umas botas que já "andava a namorar" há uns tempos (realmente valeu a pena o desconto)... Fico com a cabeça baralhada com estas confusões...



(não são bem estas as que comprei... ;))

Este foi o momento kitsch da semana... ;)

Amanhã é mais um dia de trabalho para a Moura Aveirense, logo convém deitar-me cedo... ah, e cuidado com os sobressaltos na hora de acordar ;) Boa noite.



Hoje acabam as aulas do 1.º semestre na UA...


... só se vêem alunos cheios de stress, a acabarem trabalhos e a fazerem apresentações orais... ao fim da tarde estarão prontinhos para ir de férias!


Thursday, 18 December 2008

Flutuar...

... numa piscina ou, preferencialmente, no mar, é um dos maiores prazeres para a Moura Aveirense. Estar ali, sem tempo definido, a olhar para o vazio (ou de olhos fechados) e "com a cabeça a mil" faz tão bem... das melhores terapias mentais que conheço.

Entretanto, creio que a actividade física - por entre momentos de flutuação :) - que fiz hoje já dá para compensar os doces que vou comer no Natal :P

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(cenário captado no Sea World de San Diego, Março de 2007)

Um nenúfar flutua
na mesma água
que a Lua.

Jorge de Sousa Braga


(Fotografia tirada no Oceanário de Lisboa, Novembro de 2007)

Em Aveiro, amanhecer com nevoeiro...


Wednesday, 17 December 2008

Sejam felizes!

Segundo um estudo científico de R. Veenhoven, da Universidade Erasmo de Roterdão, ser feliz é tão eficaz como deixar de fumar, uma vez que a felicidade pode ajudar a aumentar entre 7.5 e 10 anos o tempo de vida.
Não percam tempo, sejam felizes! Não se esqueçam de soltar umas valentes gargalhadas sempre que possível! :-)

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(olhar captado no Sea World de San Diego, Março de 2007)

Precisely the least, the softest, lightest, a lizard's rustling, a breath, a breeze, a moment's glance —it is little that makes the best happiness.

Friedrich W. Nietzsche


(Fotografia do recém-renovado Hotel Palace da Curia, Novembro de 2008)

TIME - Personality of the Year 2008

Alguém tinha alguma dúvida?!? :-)

Agasalhem-se bem...

... as temperaturas mínimas estão novamente a descer...

Tuesday, 16 December 2008

Um dia muito feliz

A melhor prenda de Natal recebi-a hoje... é muito bom quando o nosso trabalho é reconhecido. É preciso ter muita paciência e nunca desistir.

E o melhor é poder partilhar os bons momentos com as pessoas que nos amam. Hoje foi dia de festejar. Boa noite.


Patience - Take That


A vida não deve ser
um romance que nos é dado,
mas um romance que nós próprios construimos.

Novalis


(Fotografia da antiga fábrica de Cerâmica, Aveiro, Outubro de 2008)

Reflexões da manhã

Hoje de manhã estava mesmo frio... até em frente à Reitoria da UA via-se uma camada de gelo no chão, que poderia surpreender os mais distraídos... é impressão minha, ou está mais frio este ano?

Entretanto, lembrei-me que defendi o meu Doutoramento há precisamente três anos. Lembro-me como se fosse ontem de todos os momentos. Engraçado como o tempo passa...

Semana de "deadlines"...

... os alunos queixam-se dos trabalhos que têm de entregar a todas as cadeiras...



Monday, 15 December 2008

35 anos

A Universidade de Aveiro (UA) celebra hoje 35 anos. Parabéns :-)

A
sessão comemorativa decorreu durante a tarde. Nem dei por nada... hoje foi um dia tão corrido, com tudo marcado e organizado ao milímetro, de modo a fazer tudo o que estava na agenda. Sem respirar, quase...



Onde Nasceu a Ciência e o Juízo?

MOTE

— Onde nasceu a ciência?...
— Onde nasceu o juízo?...
Calculo que ninguém tem
Tudo quanto lhe é preciso!

GLOSAS

Onde nasceu o autor
Com forças p'ra trabalhar
E fazer a terra dar
As plantas de toda a cor?
Onde nasceu tal valor?...
Seria uma força imensa
E há muita gente que pensa
Que o poder nos vem de Cristo;
Mas antes de tudo isto,
Onde nasceu a ciência?...

De onde nasceu o saber?...
Do homem, naturalmente.
Mas quem gerou tal vivente
Sem no mundo nada haver?
Gostava de conhecer
Quem é que formou o piso
Que a todos nós é preciso
Até o mundo ter fim...
Não há quem me diga a mim
Onde nasceu o juízo?...

Sei que há homens educados
Que tiveram muito estudo.
Mas esses não sabem tudo,
Também vivem enganados;
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem.
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicionário...
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem.

Ao primeiro homem sabido,
Quem foi que lhe deu lições
P'ra ter habilitações
E ser assim instruído?...
Quem não estiver convencido
Concorde com este aviso:
— Eu nunca desvalorizo
Aquel' que saber não tem,
Porque não nasceu ninguém
Com tudo quanto é preciso!

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."


(Fotografias da Universidade de Aveiro, Julho de 2008 - para quem não conhece, começando pelo canto superior esquerdo e seguindo no sentido dos ponteiros do relógio: edifício da Reitoria, projecto de Gonçalo Byrne; pormenor de uma zona verde do campus, tendo o Centro Universitário de Fé e Cultura em 2.º plano; Biblioteca, projecto assinado por Siza Vieira; Alameda da Universidade)

Última semana de aulas do 1.º semestre...


... os alunos já só pensam em acabar os trabalhos e ir gozar o Natal...

Sunday, 14 December 2008

Cenários de Outono...

Apanhas do chão as palavras gastas,
como frutos podres; uma a uma,
no poema, formam a frase que
nunca imaginaste, com um sentido exacto.

E vês a árvore de onde caíram,
com as suas folhas de sílabas
e os seus ramos de verso, segredar-te
um musgo de sentimento ao ouvido.

Agora, as palavras são tuas.
Envolvem-te como a hera se agarra aos muros,
e crescem por ti dentro até à alma.

Então, colhe as palavras que te enchem,
antes que caiam como frutos podres, e
oferece-as a quem passa, no cesto do poema.

Nuno Júdice, in "O Breve Sentimento do Eterno"


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(Olhar captado no Central Park, New York City, Outubro de 2008)


(Fotografia tirada em Vouzela, Dezembro de 2008)

O frenesim das compras de Natal...

Ir para as filas?!? Não há paciência...

Saturday, 13 December 2008

Altura de jantares de Natal...

... divirtam-se e aproveitem. Mas, cuidado, se tiverem uma boa voz e alguém do jantar souber disso, estão "fritos"... cuidado com os convites para cantar no meio do restaurante ;) Digam que estão roucos e vão adiando... Bom fim de semana.

Ia ser, todos se lembravam, um jantar muito original. Cada um tinha sido desafiado a descobrir em que residia a originalidade do jantar. Este era o ponto difícil. A originalidade estava em algo não aparente, ou numa coisa óbvia? Estava em algum prato, em algum molho, em alguma disposição? Estava em algum detalhe trivial do jantar? Ou estava no fim de contas, no carácter geral do jantar? ...

Fernando Pessoa, in "Um jantar muito especial"

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("Quando janto em restaurantes"... um olhar sobre Deolinda...)

Saio cedinho ao sábado de manhã...

... ai que frio! Brrrrrrrrrrrrr...

Friday, 12 December 2008

Antevê-se uma noite fria com lua cheia...


Eu sei - papas na lingua


Quero
Nos teus quartos forrados de luar
Onde nenhum dos meus gestos faz barulho
Voltar.
E sentar-me um instante
Na beira da janela contra os astros
E olhando para dentro contemplar-te,
Tu dormindo antes de jamais teres acordado,
Tu como um rio adormecido e doce
Seguindo a voz do vento e a voz do mar
Subindo as escadas que sobem pelo ar.

Sophia de Mello Breyner Andresen



(Fotografia de Henso)

"Sessão parlamentar" de sexta-feira...



Thursday, 11 December 2008

Toda a música que amamos...

... (pelo menos, os admiradores de música clássica) está patente em dois livros escritos pelo Maestro António Victorino d'Almeida. Informação que vi no sempre interessante blog da Laurinda Alves.

Hummmm, esta seria uma excelente prenda de Natal para a Moura Aveirense... ;)



Toda a Música que eu Conheço
António Victorino d'Almeida
Uma viagem essencial à história da música ocidental


VOLUME I - Da Idade Média ao final do século XIX
VOLUME II - Do princípio do século XX até à actualidade

Atravessando vários séculos, António Victorino d'Almeida guia-nos pelo mundo da música que o próprio foi conhecendo ao longo de cinquenta anos de carreira. Revela-nos episódios inéditos e conta-nos, de uma forma acessível e bem-humorada, a história de várias músicas, compositores e intérpretes.
Este livro, apesar de se basear nas preferências do maestro, é um documento essencial para conhecermos a história da música ocidental. A grande missão desta obra é mostrar ao grande público que o acesso à arte musical não é exclusivo de especialistas, mas está ao alcance de todos os que se interessam e querem saber mais sobre música.


(Fonte: fnac.pt)


(Fonte: http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/)

Faltas dos deputados

Pasmada, a ouvir ontem a reportagem da SIC sobre as faltas dos deputados na sessão parlamentar da última sexta-feira... E quando ouço um deputado dizer que «é compreensível» que os deputados que são de fora de Lisboa queiram sair mais cedo na sexta-feira para estar junto das suas famílias e que concorda mesmo que às sextas feiras não deveriam haver sessões parlamentares (!)...

Surreal... mas que pouca vergonha, é o país que temos, "pleno" de produtividade... é a única expressão que me ocorre, se nem os deputados dão o exemplo... eu tenho de trabalhar à sexta-feira à tarde e ao sábado de manhã e não me queixo.

O pormenor nas mulheres vs. a simplicidade nos homens...


Wednesday, 10 December 2008

Saramago - 10 Anos de Nobel

Hoje celebram-se precisamente 10 anos que José Saramago recebeu o Prémio Nobel, na Suécia. 1998, que grande ano!... a não perder o documentário que a RTP vai transmitir às 21h sobre o (na minha modesta opinião) melhor escritor português vivo.


(Fonte: nobelprize.org)
No dia em que se assinalam os dez anos da atribuição do primeiro Prémio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa, a RTP exibe um documentário que retrata o percurso singular do escritor José Saramago, que se afirma "pessimista pela razão, optimista pela vontade".

Durante quase um ano, uma equipa da RTP reconstitui os pontos cardeais em que a vida e obra de Saramago se fundem, num trabalho que aborda a história do escritor português mais lido e conhecido do mundo.

Mais do que uma biografia, este documentário pretende dar a conhecer ao grande público os momentos decisivos da vida de um homem que aos cinquenta e três anos não era ainda escritor.

Filho e neto de camponeses sem terra, José Saramago imigrou para Lisboa com dois anos.Grande parte da sua vida decorreu na capital, que serve de cenário a alguns dos seus romances.Mas durante a adolescência, foram muitas e prolongadas as suas estadias na aldeia natal, Azinhaga, Golegã, que o marcou para toda a vida.

Ficou célebre, o discurso que Saramago proferiu há dez anos na entrega do prémio Nobel, evocando com emoção os avós Jerónino e Josefa, que dormiam com porcos na cama, única forma de sobreviverem todos.

José Saramago frequentou o liceu e a escola industrial mas, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir os estudos.

É um homem “Levantado do Chão”, título de uma das suas obras, e título escolhido também, para este documentário. O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico e neste trabalho reeencontramos a oficina dessa época assim como ex-colegas de ofício.

(Fonte: rtp.pt)

Com o vento que se tem feito sentir...



... até admira se as árvores ainda têm folhas...

Tuesday, 9 December 2008

Momentos meus




Coração sem imagens

Deito fora as imagens,
Sem ti para que me servem
as imagens?

Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento,
que está em toda a parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.

Raul de Carvalho




(Momentos captados algures entre Vila Nova de Cerveira, Salamanca, Guimarães, Faro, Gerês, Santiago de Compostela, Curia, Tomar e Murtosa, 2007 & 2008)

Comida de Cabo Verde

Meses depois da Moura Aveirense se ter aventurado pela comida de terras orientais (sem ter ficado propriamente entusiasmada), houve agora outro reencontro de amigos, num restaurante em que se vislumbram aromas e paisagens mais quentes, a partir de terras mouras :-)

Deparei com a "Casa da Morna" (e a cor vermelho quente não é aqui escolhida por acaso... as cores das paredes do restaurante são por demais acolhedoras, intercaladas com telas e fotografias de músicos cabo-verdianos) por entre as leituras relacionadas com a substância da vida e logo fiquei muito curiosa. O restaurante é bastante simpático e tem a bela particularidade de ter música ao vivo (cabo-verdiana, claro está! "sódade, sodade..."). Pena o barulho excessivo quando está cheio, em virtude de ser escolhido por grupos com muitas pessoas (a reserva de mesa é, aqui, imprescindível).

Por falta de oportunidade nunca tinha experimentado comida cabo-verdiana. Entre moqueca de camarão, moamba de galinha e cachupa desfiaram-se conversas e risos de pessoas que já não se viam há vários meses, mas em que a amizade permanece, por mais afastados que estejamos uns dos outros. No fim, o veredicto foi bastante positivo! E, embora os três pratos fossem bastante saborosos, a cachupa ganhou definitivamente a preferência de todos!



Estão servidos? ;)

Enfeitar a árvore de Natal...


É normalmente nos feriados de 1 ou 8 de Dezembro que as decorações de Natal são feitas na casa da Moura Aveirense.

Monday, 8 December 2008

Estar junto de uma lareira acesa...

... a ler dá-me um prazer imenso.

É tempo de ligar a lareira... e chamar o limpa-chaminés (ofício em vias de extinção?), se o fumo não estiver a fluir bem ;)




Namoro de Aldeia

Duas horas e meia da manhã:
o trabalho que espera sossegado,
o cansaço do fogo na lareira,
a caneta riscando e o cantar do galo
estremunhado

Deve pensar que são seis horas, este galo,
e o meu trabalho em sono, o fogo que me fala,
uma unha roída,
um cigarro fumado,
o café a fazer e o poema desfeito
em só cadência

Que tema é este sério a esta hora
breve da manhã, com o trabalho à espera
e o fascínio do fogo?

Deve pensar que possui tema, este poema
que não me evita e me namora ousadamente
a desoras na aldeia

O fogo estala e outro galo canta
e o meu trabalho enjoa sossegado
No romance parado do meu poema e eu,
o café já saiu, começou a chover

Escorrem gotas macias no telhado,
o fogo morre, o trabalho desperta
abrindo um olho lento

e o meu namorado parvo e tonto
carregado de imagens (e de outras coisas leve)
sai furtivo a desoras

Só deixou por roer
a unha do polegar
da minha mão direita

Ana Luísa Amaral



(A cor de fogo das folhas de Outono, no parque das termas da Curia... captada em Novembro de 2008)

Sunday, 7 December 2008

A admirável companhia de um livro...



As minhas "manias" como leitora...

Tantas, tantas... ;)

1) Não requisitar livros nas bibliotecas (excepto livros de trabalho, claro está)... nisso tenho mesmo um "sentimento de posse", gosto MESMO de ter os MEUS livros!

2) Dobrar as páginas de um livro para as marcar, não... Utilizo marcadores, sim... hummm, muitos, normalmente com figuras relacionadas com pinturas ou música.

3) Aponto o nome das pessoas a quem empresto livros. Sim, já me aconteceu ficar sem alguns livros, pessoas que nunca me devolveram o que lhes emprestei, abomino tal coisa... agora já não caio nessa! Gosto muito de emprestar, mas não suporto que não me devolvam o que empresto.

4) Sublinho frases que me tocam, a lápis.

5) Não costumo ler mais do que dois livros de cada vez.

6) Em todos os livros que compro escrevo a data e o local onde os comprei ou os nomes das pessoas que me ofereceram e a ocasião (Aniversário, Natal, ...)

E adoraria ter uma escada assim!


(se juntarmos a um bom livro, uma música belíssima interpretada por um mestre do piano... a magia acontece)



1. O direito de não ler.

2. O direito de saltar páginas.

3. O direito de não acabar um livro.

4. O direito de reler.

5. O direito de ler não importa o quê.

6. O direito de amar os "heróis" dos romances.

7. O direito de ler não importa onde.

8. O direito de saltar de livro em livro.

9. O direito de ler em voz alta.

10. O direito de não falar do que se leu.

Daniel Pennac


("La liseuse", de Renoir - Fotografia tirada no Musée d'Orsay, Paris, Maio de 2008)

Saturday, 6 December 2008

Estar com Amigos...

Friday, 5 December 2008

Jantar com Amigos...

... ao redor de uma mesa, é um dos meus maiores prazeres, depois de um dia-a-dia tão corrido e ocupado. Nesta semana janto três dias seguidos com três grupos de Amigos diferentes, pessoas com quem me sinto muito bem e com quem adoro estar. Pena que não consiga estar mais frequentemente com alguns deles.

Ontem a Moura Aveirense dedicou-se à gastronomia portuguesa... hoje à italiana... e para amanhã, mais a Sul, decidi desafiar uns Amigos a experimentar uma nova experiência gastronómica. Depois eu conto! ;) Bom fim de semana.

(claro que é necessário ter cuidado com alguns "chefs" ;) e a comida que nos servem...)



Dobrada à Moda do Porto

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

Álvaro de Campos



(Fotografia tirada no Central Park, New York City, Outubro de 2008)

Chuva "chatinha"...



Thursday, 4 December 2008

Terras de Lafões

A nascente de águas termais de S. Pedro do Sul (onde correm águas sulfúreas à temperatura de 68.7ºC) transmite uma calma absoluta...

video

... um excelente local para uma escapada... onde se pode cuidar do corpo e da mente (esqueçam a ideia que as termas são só para pessoas mais velhas!)... e também do estômago ;) toda a comida é verdadeiramente fabulosa. Bem, claro que a Moura Aveirense perdeu-se mesmo foi pelos pastéis de Vouzela...


Durante este ano fui algumas vezes a S. Pedro do Sul... é interessante ver as mudanças das estações. Os reflexos do rio Vouga são mágicos, nunca me canso de os fotografar.


Hino de Lafões

São cheias de Serras
Todas estas terras
Por onde nascemos.
Ainda assim vivemos
Com o que temos
Melhor que ninguém.
Das terras que vi

Como estas daqui
Oh! não há nenhuma...
Encerram, em suma
Belezas mais que uma
Que as outras não têm.

Lafões
É um jardim
E não há no mundo
Um lugar assim!

Tem flores nos montes
Regatos e fontes
D' águas cristalinas.
Formosas meninas
E outras coisas finas
Tudo do melhor.
Tem um belo rio
Onde pelo estio
Vão ninfas nadar...
E a brisa e o luar
Sabem murmurar
Cantigas de amor!


(...)

Tem a Boavista
Que é um paraíso
Um céu verdadeiro
Tem o meu Outeiro
Talvez o primeiro
Em amenidade

Tem o S. Cristóvão
Que fica de fronte
Ali de Olheirão ...

Não é mangação
Parece a mansão
D'uma divindade

Que largo horizonte
Te engrinalda afronte
Vila de Oliveira!
És como a palmeira
Olhando altaneira
Por esse amplo azul!
Mais além Vouzela
Se esconde no Zela
Púdica , modesta.
Em trajes de festa
Vai tomando a sesta
S. Pedro do Sul.

Pe . Alberto Poças Figueiredo


(Fotografias de S. Pedro do Sul tiradas em Abril e Novembro de 2008)

Só apetece estar em casa...



Wednesday, 3 December 2008

A Mutt like me...




... traduzindo, "um rafeiro como eu" :-) Esta foi a expressão de Obama quando lhe perguntaram que tipo de cão ele vai adquirir para dar às filhas. Falou ainda que queria adoptar, o que é uma iniciativa louvável, com tantos cães que existem por esses abrigos a precisar de um dono que lhes dê carinho.

Sendo um assunto de maior importância para a Casa Branca, Moura Aveirense sugere para "First Dog" um estilo de rafeiro tipicamente português, lindíssimo, parecido com o belo "exemplar" aqui representado, o meu Gil... ;)

Tem pêlo curto, importante para evitar alergias (problema para uma das filhas de Obama). Posso aconselhar locais onde encontrar outros similares a ele, este belíssimo canídeo veio da zona da Malveira :-) Asseguro que se trata de um Amigo fiel da família... sim, e que espanta todos os estranhos que lhe apareçam pela frente, com o seu latir agudo! LOL

Be yourself, no matter what they say.

Sting

Mais um escritor na blogosfera...




Além de José Saramago, é bom sentir José Luís Peixoto na blogosfera. Um excelente escritor, uma escrita muitas vezes dura e triste, mas muito tocante e profunda. Um cantinho a visitar, sempre que posso.

O dia amanheceu assim...



... e o frio continua. Definately, I hate cold...

Tuesday, 2 December 2008

Um sorriso...

...foi o que nos ofereceu a Lua acompanhada dos planetas Vénus e Júpiter, na passada madrugada... É uma sensação engraçada ver estes fenómenos do nosso Universo.

Entretanto, a fotografia que hoje tirei já representa, se vista "de cabeça para baixo", uma carinha mais alongada, mas triste... Deliciem-se com a música do link acima... boa noite.




Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: «A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe.»

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a, e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a eu nos meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi já.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido

Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas tanto que eu a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta a tive nos meus braços,
a minha alma não se contenta com havê-la perdido.

Embora esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

Época de entrega de trabalhos...



... mais uma semana de trabalho que se inicia.

Monday, 1 December 2008

Well done!


Frio lá fora...



... mas tão quentinho dentro... É muito reconfortante observar a chuva e "sentir" que faz frio lá fora, quando estamos num ambiente acolhedor (gosto particularmente da palavra em inglês, "cozy"...).

P.S. Na ausência de um "tea and toast"... no meu caso prefiro um chocolate quente, (bem) acompanhado por uns pastéis de Vouzela, muito estaladiços e cremosos! :P